Terça, 07 de Setembro de 2010
 
 
Blog Acerto de Contas / Autor: Pierre Lucena - 21-08-2009 14:59:00
A CRISE DO SENADO
Para Rands, Lula não deveria ter se metido na confusão dos outros

Em conversa agora há pouco, Maurício Rands se mostrou muito descontente com a panacéia geral do dia de ontem no Senado Federal. Segundo o deputado, o principal culpado disso tudo foi o Presidente Lula.

“Lula errou feio neste episódio”, diz Rands, que lamentou profundamente o dia de ontem, e completa: “foi um péssimo dia para o PT e para o parlamento brasileiro”.

Maurício Rands diz que Lula teve várias oportunidades para evitar a crise de ontem. Primeiro, porque deveria ter apoiado Tião Viana para a presidência do Senado. E depois porque teve a chance de construir uma renúncia coletiva da mesa do Senado, elegendo para o lugar alguém fora da disputa partidária, como Francisco Dornelles, que teria condições morais e políticas para mudar a casa.

Para completar, Rands disse que Lula errou muito no dia de ontem, sob vários aspectos: ”ele jamais deveria ter se metido na confusão do parlamento, isso é ruim para a democracia. Depois expôs o PT, já que os culpados eram Sarney e Arthur Virgílio. Lula não teve a dimensao histórica da crise do Senado”.

Rands disse que para piorar tudo, foi o dia da saída de Marina do PT, que é uma militante histórica, com uma bela biografia. Mas mesmo assim disse que permanece no PT, e que vai lutar dentro do partido para que episódios lamentáveis como o de ontem não voltem a acontecer.

Pelo jeito a fratura no partido ainda vai demorar a curar. Aloisio Mercadante vai sair da liderança do PT, e outros parlamentares podem acompanhar Marina, como o Senador Flavio Arns.

E com as candidaturas de Ciro e Marina, a necessidade de Dilma começar a crescer pode deixar o Governo como pato manco, mesmo com os altíssimos índices de aprovação de Lula.

Como boa parte dos senadores renova tentará renovar mandato no ano que vem, ninguém quer bater a “foto oficial” ao lado de lendas como Sarney e Renan Calheiros.

Ainda mais porque na eleição majoritária a opinião pública tem alguma força.