| PARTIDO DA OPOSIÇÃO COMANDA A PRIMEIRA SECRETARIA DO SENADO HÁ DEZ ANOS.
BRASÍLIA (AE) - Irritados com a decisão do DEM de pedir o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo, o PMDB e o PT ameaçam retaliar os democratas que, nos últimos 18 anos, comandaram por dez anos a primeira secretaria da Casa.
Os governistas defendem uma ampla investigação nos atos da primeira secretaria. Responsável pela administração do Senado, pelas negociações dos contratos, que vão desde a contratação de mão de obra terceirizada às negociações com empresas para prestação de serviços, a primeira secretaria é conhecida como “o cofre” da Casa. É na primeira secretaria, a quem o diretor-geral do Senado é subordinado, onde transita grande parte do dinheiro orçamento da Casa.
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BRASÍLIA (AE) - Irritados com a decisão do DEM de pedir o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo, o PMDB e o PT ameaçam retaliar os democratas que, nos últimos 18 anos, comandaram por dez anos a primeira secretaria da Casa.
Os governistas defendem uma ampla investigação nos atos da primeira secretaria. Responsável pela administração do Senado, pelas negociações dos contratos, que vão desde a contratação de mão de obra terceirizada às negociações com empresas para prestação de serviços, a primeira secretaria é conhecida como “o cofre” da Casa. É na primeira secretaria, a quem o diretor-geral do Senado é subordinado, onde transita grande parte do dinheiro orçamento da Casa.
“O DEM sai com uma lista contra o Sarney pela porta da frente e com o cofre pela porta de trás”, afirmou Wellington Salgado (PMDB-MG). O ex-diretor Agaciel Maia, hoje alvo de investigação pela edição de atos secretos, comandou a parte administrativa da Casa desde 1995, passando por oito presidências e seis diferentes presidentes.
A atual Mesa Diretora já detectou irregularidades em 16 contratos para o fornecimento de mão de obra para o Senado. Um dos casos detectados pela comissão técnica especial nomeada pelo primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), envolve a Aval Empresa de Serviços Especializados, responsável pela prestação de serviços de limpeza e conservação do Prodasen (Secretaria Especial de Informática) e da Interlegis. A comissão identificou que um contrato anunciado como “emergencial” tinha valor 97,91% acima do previsto pelo Prodasen.
Apesar de ser deputado federal, Maurício Rands (PT) também coloca parte da culpa no DEM pela crise no Senado. “A administração do Senado cabe à primeira secretaria, e ela tem sido um feudo do PFL, atual Democratas”, disparou.
Para Rands, as irregularidades tinham que passar necessariamente por lá. “Inclusive o fato concreto tem que ser investigado, porque a origem desses desmandos administrativos é lá na primeira secretaria, atualmente ocupada pelo Heráclito Fortes, antes pelo Efraim Morais (DEM-PB), e antes pelo Romeu Tuma (hoje PTB-SP, mas a época era do DEM), inclusive com investigações da Polícia Federal em curso”, criticou.
Mesmo jogando parte da culpa no Democratas, o parlamentar não exime Sarney da responsabilidade pelos escândalos. “Não se pode atribuir tudo a Sarney, mas ele é o presidente. O conjunto da mesa perdeu a condição de administrar. A melhor solução, na minha opinião, seria a renúncia coletiva, uma nova eleição e uma reforma moralizadora profunda da administração do Senado”, defendeu.
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