Terça, 07 de Setembro de 2010
 
 
Jornal do Commercio - 30-06-2009 16:03:00
Jornal do Commercio: RANDS REFORÇA CORO PELA SAÍDA DE SARNEY
Ex-líder do governo na Câmara Federal, o deputado federal Maurício Rands defendeu ontem que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deixe o cargo junto com todos os membros da mesa diretora. “Ele está fazendo um desserviço ao País. Sarney e todos os membros da mesa diretora perderam as condições de comandar a Casa”, disse, durante debate na Rádio Jornal. A declaração veio no mesmo dia que o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, afirmou que o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Sarney é “absoluto”.

Por sua posição, Rands negou contradição com o governo nem que sua posição demonstre racha da base aliada. “É uma divergência pontual”, avisou. Ele poupou José Múcio, afirmando que a posição dele de defesa intransigente de Sarney é por força das atribuições do cargo. “Ele vê uma tentativa do PSDB de emplacar o senador Marconi Perillo (GO) na presidência. Mas defendo a saída de todos os membros da mesa a realização de novas eleições”, explicou. Perillo é o 1º vice-presidente do Senado.

Rands garantiu que sua posição de não se alinhar na defesa de Sarney tem ressonância na bancada do PT. Entre os deputados petistas do Estado, pelo menos um, Fernando Nascimento, anunciou que apoia a saída de Sarney e de toda a mesa do Senado. “Antes que haja uma crise institucional”, explicou. Nascimento ponderou também que a “liturgia do cargo” fez Múcio sair em defesa de Sarney. “Mas nós (da bancada parlamentar) não podemos defender o indefensável”, advertiu. Maurício Rands informou que levará o tema à próxima reunião da bancada do PT.

Correligionário do ministro José Múcio e aspirante a uma das vagas do Senado em disputa em 2010, o presidente estadual do PTB, deputado Armando Monteiro Neto, criticou o funcionamento da Casa. Mas não entrou no mérito se Sarney deveria deixar o cargo. “É um assunto do Senado. Por integrar outra Casa, não me sinto em condições de opiniar”, justificou. Para ele, o momento de crise é propício para uma reforma profunda na Câmara Alta.
“Acho que a discussão principal não é sobre quem deve deixar o cargo. Se mudar os nomes e não as práticas de nada adianta. A mesa está comandando a Casa há 20 anos. O Senado precisa reestruturar-se. Precisa criar maior mecanismo de transparência, de maior controle social, de maior controle interno e externo. Os próprios senadores não tinham controle dos atos que dali emanavam”, comentou.

Além de remodelar o sistema de controle dos atos do Senado, Armando defendeu que o momento também é favorável para um outro debate: o do custo do Legislativo para o erário brasileiro. Ele disse isso em menção ao inchaço no funcionalismo do Senado, outro problema que ficou evidente depois do surgimento dos escândalos envolvendo atos secretos. “O Senado francês custa um terço do brasileiro. Os gastos do País com os Legislativos é muito elevado”, avaliou.