Terça, 07 de Setembro de 2010
 
 
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O Brasil e os países da Europa Ocidental
A ação diplomática do Brasil para os países da Europa Ocidental gerou importantes resultados ao longo da última década, contribuindo de forma significativa para a inserção internacional do País. Diversas iniciativas de ordem política, econômica e cultural foram implementadas tanto no nível das relações com cada país da região - onde o Brasil encontra algumas de suas mais tradicionais e produtivas parcerias individuais - quanto no da interação com a União Européia, o mais avançado experimento de integração regional, cujo êxito inspirou a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul).
Uma das prioridades da política externa brasileira, o relacionamento com a Europa Ocidental caracteriza-se por uma rara combinação de fundamentos: uma história comum (descobrimento e colonização portuguesa, os 60 anos da União Ibérica, a presença holandesa no Nordeste); o papel da imigração e da cultura européia na formação do Brasil (numerosas comunidades de descendentes, língua, religião e valores compartilhados); o dinamismo do intercâmbio econômico (a União Européia é nosso principal sócio comercial e a primeira fonte de investimentos diretos no País); e a intensidade do diálogo político (os contatos governamentais, sobretudo de alto nível, são constantes e marcados por espírito construtivo).
Em particular no plano econômico, a Europa Ocidental consolidou-se como o mais importante parceiro brasileiro, responsável por quase um terço do nosso comércio exterior (cerca de 25 bilhões de dólares) e por investimentos da ordem de 50 bilhões de dólares (um crescimento de aproximadamente 100% nos últimos cinco anos). Os capitais privados provenientes de países como Alemanha, Itália, Reino Unido e França contribuíram de modo decisivo para a industrialização brasileira dos últimos 30 anos. Na onda mais recente de investimentos europeus, destaca-se a participação da Espanha e de Portugal nos setores de telecomunicações, energético e financeiro.
A Europa constitui uma das bases do equilíbrio que caracteriza nossa presença no mundo e é nosso interesse manter e reforçar essa relação, sobretudo em face de iniciativas como a integração hemisférica (Área de Livre Comércio das Américas). A estratégia desenvolvida pelo Itamaraty tem sido justamente a de buscar o estreitamento dos vínculos que nos unem à Europa, visando a assegurar e, eventualmente, ampliar o peso do continente em todas as vertentes de nossas relações exteriores.
O aprofundamento do relacionamento euro-brasileiro e, em especial, com a União Européia conheceu o seu momento mais elevado na realização, no Rio de Janeiro, da Cimeira América Latina e Caribe-UE, em junho de 1999. A participação do Brasil na coordenação do encontro, presidido ao lado do México e da Alemanha, demonstrou o nível elevado de fluidez e de entendimento que marca nossas relações com a Europa. O anúncio formal, por ocasião da Cimeira, do início do processo de negociações entre o Mercosul e a União Européia para uma futura liberalização das trocas comerciais constitui, talvez, o resultado mais tangível de um relacionamento que conhece momento especial de qualidade.
No processo de aprofundamento das relações euro-brasileiras, a estabilidade política, as potencialidades econômicas e a confiabilidade estratégica brasileiras possuem elevado significado. Em seus contextos regional e de grau de desenvolvimento econômico, o Brasil e, de modo genérico, a América do Sul, são freqüentemente associados às idéias de paz, ausência de conflitos étnicos, religiosos ou ideológicos críticos e de grandes potencialidades econômicas. Embora, em termos econômico-comerciais, a Europa Ocidental possa mostrar-se mais importante para o Brasil e para a América Latina do que estes para a Europa, sempre existirão valiosas oportunidades para investimentos, para a contínua expansão do intercâmbio euro-brasileiro e para novas iniciativas conjuntas, de maior envergadura.

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